Babylon, episódio que antecede o final da 10º temporada de Arquivo X, merece ser assistido mais de uma vez. Não porque é uma obra de arte televisiva – existem erros e acertos -, mas por todas as referências e mensagens transmitidas.

Mulder e Scully são levados por dois agentes que “parecem” versões jovens deles mesmos, apesar do pouco carisma dos novatos. Miller (Robbie Amell) é o agente de mente aberta que acredita no sobrenatural. Einstein (Lauren Ambrose) é a parceira cética, durona e ruiva. Há até um exagero para todos entenderem a brincadeira dos “clones”. Nomes e características físicas não precisavam ser semelhantes, apenas a personalidade seria o suficiente.

Mulder tenta se comunicar com Shiraz

Mulder tenta se comunicar com Shiraz

O caso da semana é um atentado terrorista no Texas. Shiraz, um dos homens-bomba sobreviveu, está entre a vida e a morte em um hospital, e o desafio é tentar se comunicar com o criminoso para conseguir informações sobre a célula terrorista do local.

Circunstâncias levam as duplas improváveis Scully e Miller; Mulder e Einstein (a agente 🙂 )se unirem em segredo para a resolução do caso. A mistura é melhor para a última dupla, onde o tema central do episódio se desenvolve: Qual o poder de uma ideia?

Na tentativa de se comunicar com o terrorista em coma, Mulder ingere uma substância alucinógena, conseguida por Einstein, e experimenta uma série de visões dignas de Arquivo X. De uma primeira parte boba, com ele dançando country e amarrado por uma agente Einstein dominatrix, a viagem vai para algo sombrio e com referências bíblicas – Ver o Canceroso dando chicotadas em Mulder enquanto ele vê Shiraz, nos braços de sua mãe, como Jesus após a crucificação, é impactante.

Não saber o que Shiraz disse para Mulder durante o “sonho” é válido, no entanto, a 10º temporada tem se destacado por deixar os casos sem conclusão.  O terrorista se arrependeu e ajudou? Manteve-se fiel ao propósito pregado por extremistas e morreu com a informação?

Novamente, gancho para destacar o poder da ideia ou, como o episódio trata, o poder da sugestão.

Os Cavaleiros Solitários aparecem rapidamente

Os Cavaleiros Solitários aparecem rapidamente

Mulder não tomou um alucinógeno. Tudo foi causado por um efeito placebo, sabemos no fim.  Em outra esfera, muito mais complexa, está a ideia de matar em nome de um deus ou causa. Não acredito que ninguém nasça com esse propósito, mas esse objetivo pode ser “ensinado” para alguns.

Miller e Einstein, os novos Mulder e Scully, respectivamente, também comprovam a força da ideia. Todos mantemos característica exclusivas, mas existem outros agentes que compartilham dos valores de nossos queridos protagonistas. É assim também na vida real.  Me lembrei de Batman: O Cavaleiro da Trevas Ressurge. Bruce Wayne (Christian Bale) em certo momento afirma que qualquer um pode ser o Cavaleiro das Trevas. Afinal, ele é uma ideia!

Durante seus quarenta e poucos minutos, Babylon passa também por outros temas como ódio e preconceito. Porém seu foco se mantém nas referências religiosas, reafirmada com a redenção de Shiraz. Vamos esquecer aqui o quanto é conveniente Miller saber árabe para decifrar a mensagem da alucinação de Mulder e comemorar o caso resolvido no final do episódio – A informação do terrorista arrependido leva o FBI até o hotel Babylon, onde a célula de criminosos está concentrada.

Mulder e Scully conversam sobre religião e fé

Mulder e Scully conversam sobre religião e fé

O nome do hotel, Babilônia, em português, pode representar mais uma crítica da série ao terrorismo. Segundo a Bíblia, Babilônia e Torre de Babel representam a rebelião dos homens contra o plano de Deus. Enquanto o criador ordenou que se espalhassem para povoar a Terra, os habitantes deste local decidiram se agrupar e construir uma casa que chegasse aos céus.

Sugestivo a célula terrorista estar em um local com o nome da famosa cidade, símbolo de um confronto entre o criador e seus filhos.  Em tempo: Ainda de acordo com a Bíblia, Babilônia foi destruída por Deus.

No final do episódio, Mulder cita a ira divina, fala de fé e escuta as trombetas dos anjos anunciando o fim dos tempos. Segue um trecho do Apocalipse citado pelo agente antes: “Vi os sete anjos que se acham em pé diante de Deus; a eles foram dadas sete trombetas”.

O tocar de cada uma das trombetas traz o juízo final para a Terra. O último capítulo da 10º temporada de Arquivo X é hoje. Será o fim? Ou é apenas a força da sugestão?