Review com spoilers da 10° temporada da série

Agora que a 10º temporada de Arquivo X chegou ao fim, e a poeira baixou, é fácil dividi-la em duas partes: uma tem os episódios três, quatro e cinco, com histórias soltas e sem relação com o núcleo da mitologia da série; a outra contém a estreia, o segundo capítulo e o season finale, focados em mostrar mais da conspiração global que foi a principal trama do seriado desde o início.

O melhor do retorno está nos monstros da semana e nas histórias focadas em Scully, na saudade do filho William e na morte da mãe Margaret. A comédia também teve espaço com o excelente Mulder & Scully Meet the Were-Monster, o melhor episódio da temporada e um dos destaques de toda a série.

Scully e Einstein unem forças no final

Scully e Einstein unem forças no final

David Duchovny trouxe um Mulder relaxado, ácido e irônico como sempre. Exagerou em alguns momentos e fez o agente antes esquisito parecer canastrão, mas a essência sempre esteve em cena. Gillian Anderson aproveitou o foco em Scully. Conseguiu transmitir o peso de uma mãe separada de seu filho e também foi bem em momentos descontraídos.

Com o decorrer da décima temporada, ficou claro que quando equipe e elenco não estavam preocupados em respeitar e avançar a gasta mitologia da série, tudo corria bem e Arquivo X conseguia até repetir sensações e sentimentos que estavam guardados na gaveta desde as primeiras temporadas. O episódio Home Again é exemplo de um bom e até nostálgico monstro da semana.

Quando tratou de naves espaciais, vacinas e vírus, Chris Carter e seu time intercalaram erros e acertos. O problema é que a mitologia de Arquivo X já passou pelo último retorno há tempos – a invasão alienígena foi anunciada no season finale da nona temporada – e agora só existe uma reta apontando para o horizonte.

O caminho conservador escolhido no season finale, My Struggle II, é fator importante nos principais equívocos

O quase imortal, Canceroso

O quase imortal, Canceroso

desse retorno: a volta de Monica Reyes (Annabeth Gish) e do Canceroso (William B. Davis). A primeira, que se mostrou firme e nunca abandonou seus valores desde que estreou no seriado, aceita mudar para lado negro da força muito fácil.

O representante do mal é difícil de ludibriar, mas esse ser maligno ainda estar vivo é também o maior erro da série nesta volta. O Canceroso tomou um míssil na cara, dentro de uma caverna, no final da nona temporada. Não havia como sobreviver naquela situação. Pode ser que ele tenha algo dos supersoldados no DNA, mas mesmo assim, forçaram a barra.

A ameaça global do episódio final é mediana. Não impressiona, porém, é bem montada dentro dos cinquenta minutos disponíveis. O final é conveniente, uma carta na manga de Chris Carter. Daquela ponte, a série pode seguir com quem estiver disponível.

Mulder, Scully, agente Einstein (Lauren Ambrose) e Miller (Robbie Amell) terminam observados por uma nave. Ela pode abduzir quem não quiser continuar. Automaticamente, o time restante segue na 11° temporada. Será a vez da nova geração com Miller e Einstein ou os clássicos protagonistas terão gás para continuar procurando a verdade?

Ela ainda está lá fora?

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Mulder tem um novo embate contra seu inimigo clássico

A décima temporada foi um presente para os fãs. Foi divertida, nostálgica e trouxe queridos personagens novamente para a nossa sala. No entanto, Arquivo X tem que se desprender de alguns símbolos antigos. O primeiro episódio repaginou a conspiração, na medida do possível, entretanto, a volta do Canceroso no final mostrou falta de coragem para aproveitar uma das oportunidade de mudar. A ameaça nunca deixará de ser global, mas o inimigo ainda ser o mesmo é desanimador.

Ainda não há previsão para quando a 11° temporada de Arquivo X vai estrear. Difícil apostar em um próximo tema central, mas William só ameaçou aparecer até agora, diferente de alguns antagonistas imortais.

Tudo depende de quais personagens não serão abduzidos.