Filme tem boas cenas na Espanha do século 15, mas fica chato e repetitivo ao investir na teoria de sua trama óbvia

A história mostra: adaptar um game para o cinema é tarefa ingrata. Talvez por isso, o filme Assassin´s Creed aconteça em sua maior parte no presente, dentro do laboratório, e não na Espanha do século 15, onde os Assassinos, como no jogo, escalam prédios e matam Templários. Com essa escolha ou fuga, o diretor Justin Kurzel tenta nos convencer de que a trama envolvendo a Maça do Éden, um artefato que representa o livre arbítrio do homem, é grave e mais importante do que qualquer cena de ação, mas acaba eliminando boa parte da diversão e leveza do longa.

A Maça do Éden

A Maça do Éden

Condenado à pena de morte por ter assassinado um cafetão – e não há mais qualquer informação sobre isso -, Cal Lynch (Michael Fassbender) é levado à Abstergo, uma empresa que tenta encontrar a Maçã do Éden, objeto capaz de acabar com o livre arbítrio da humanidade. Como a Maça foi vista pela última vez na Espanha, no século 15, nas mãos de Aguilar de Nerha, antepassado de Lynch, o personagem de Fassbender é conectado em 2016 ao Animus, uma máquina capaz de fazê-lo reviver as experiências de Aguilar. O objetivo é saber qual a localização da preciosa Maça.

Lynch conectado à Animus

Lynch conectado ao Animus

 Rikkin (Jeremy Irons) e Sofia (Marion Cotillard), pai e filha responsáveis pela Abstergo, falam, discursam e tentam nos enganar afirmando que a verdadeira missão é acabar com a violência do mundo, porém, qualquer um capaz de ligar os pontos sabe: assim como Cal Lynch tem a Ordem dos Assassinos em seu sangue, Rikkin e Sofia são Templários. O confronto se repete em dias atuais.

Sofia (Marion Cotillard) e Lynch na Abstergo

Sofia (Marion Cotillard) e Lynch na Abstergo

Mesmo com o plot twist óbvio, ele não é mostrado ao público. Rikkin e Sofia continuam a repetir sua mentira até quase o final da trama, usando um tempo precioso que poderia ter sido utilizado para mais cenas de ação de Aguilar na Espanha.

É lamentável, mas Assassin´s Creed teve a chance de ser um ótimo filme de ação. A ambientação, os cenários, as perseguições e lutas ocorridas no tempo de Aguilar são excelentes. Tudo te leva para dentro do game consagrado da Ubisoft e faz desejar uma nova montagem do longa. O melhor da produção da 20th Century Fox ficou em segundo plano.

Aguilar (Michael Fassbender) e Maria (Ariane Labed)

Aguilar (Michael Fassbender) e Maria (Ariane Labed)

Prova disso é que o filme melhora no final quando a Ordem dos Assassinos ressurge no presente. Sem tempo para teoria ou discursos sobre o livre arbítrio, Lynch e os outros que estavam na Abstergo atacam os Templários do presente, mais uma vez, usando movimentos e golpes vistos no game.

Irregular, o filme Assassin´s Creed é melhor que as últimas adaptações de games para o cinema. Porém, o longa se torna repetitivo, até chato em alguns momentos, ao tentar ser mais complexo do que deveria. Os momentos na Espanha do século 15 com Aguilar oferecem a diversão esperada em uma adaptação de videogame, mas talvez o medo da comparação feroz com o jogo tenha feito o longa acreditar na obrigação de oferecer mais conteúdo. Esse algo a mais acabou se transformando em um inimigo mortal para a Ordem dos Assassinos.

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