HQ mostra o fim do embate contra Bane

O desfecho do arco I’ m Suicide reforça a ideia: o Batman sempre tem um plano. A estratégia do Homem-Morcego para derrotar Bane e capturar o Pirata Psíquico é finalmente revelada em Batman #13, e não há grande reviravolta – apesar do esforço de Tom King para criar uma surpresa.

Na investida final no interior da prisão de Santa Prisca ficam claros os motivos pelos quais o Cavaleiro das Trevas montou seu esquadrão suicida: o Ventríloquo entrou na equipe para capturar o Pirata Psíquico – ele já é controlado pelo Scarface e não poderia sofrer nova influência; Punch e Jewlee eram os responsáveis pela fuga; a Mulher-Gato o elemento surpresa e o Tigre de Bronze uma chave de segurança, caso o confronto físico contra Bane fugisse do controle.

Ventríloquo está sob o controle de Scarface

Ventríloquo está sob o controle de Scarface

Em ritmo acelerado, cada membro cumpre o seu papel, e Selina Kyle tem a “honra” de quebrar o Bane. Em tempo: ela não matou Punch e Jewlee na edição passada, muito menos o Tigre de Bronze. No entanto, as motivações dos outros assassinatos cometidos antes – mais de 230 – permanecem obscuras.

A vitória dos heróis (ou anti-heróis) neste capítulo vem acompanhada de uma monotonia e algumas perguntas: Por que o próprio Batman não derrotou Bane? Foi um teste para a Mulher-Gato, que parecia ter traído Wayne em um ponto anterior da história? O arco precisava durar tanto? O que levou o Homem-Morcego a dizer um claro“não” quando Selina parecida ter se aliado ao Bane na edição 9, se o próprio sabia que tudo era um plano? Foi só para nos enganar?

Entre uma e outra decisão ousada, incluindo um retcon desnecessário que altera toda cruzada de Bruce Wayne, King reforça a ideia do suicídio consciente e inconsciente durante o arco. Dentro desta proposta, o discurso de Bane para Batman na edição 13, junto com a bela arte de Mikel Janín e a utilização de vilões incomuns nos últimos tempos, são os elementos que farão este capítulo ficar menos esquecível.

Para Bane, ele e o Morcego agem dessa maneira porque não conseguem se matar. São fracos. Isso faz com que eles procurem todos os dias monstros assassinos, representados por seus inimigos. Profunda e polêmica, tal reflexão merecia mais espaço.

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O Homem-Morcego não revida os golpes de Bane

Esse erro é recorrente em I’m Suicide. Ideias que mereciam mais tempo ficam condensadas em uma página, enquanto confrontos de uma página ganham edições inteiras!

Enquanto os últimos quadros mostram todos navegando em direção ao sol da vitória – afinal eles conseguiram capturar o Pirata Psíquico -, o personagem Batman parece coberto por uma neblina aos nossos olhos. Hoje é difícil afirmar quem é o herói, o que o motiva, como foi suar jornada até aqui.

Nessa mistura de prioridades, ritmos e vilões pouco conhecidos, Tom King parece ainda não ter decidido qual é o seu Batman. Talvez o autor tenha um plano para o longo prazo, mas hoje é quase impossível afirmar quem é o homem por trás do capuz. Você conhece Bruce Wayne? Eu talvez conheça. Vamos torcer para King ser o melhor amigo dele.

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