Resultado de parceira entre Fox e Marvel, série surpreende positivamente

Legion, série derivada dos X-Men, não sente o peso de levar consigo a grife de uma das maiores franquias dos quadrinhos. Na verdade, em sua primeira hora, o seriado parece ignorar a inevitável ligação com o Charles Xavier, inundando a tela com uma narrativa maluca, colorida e original como a mente de cada um.

David Haller (Dan Stevens), o filho do Professor X e também conhecido como Legião, é o protagonista da história, e os nomes familiares com os leitores de quadrinhos param por aí. Os outros personagens podem ser versões de mutantes consagrados das HQs, mas nada fica explícito, pelo menos por enquanto. Um telespectador desavisado não notará qualquer ligação com os mutantes da Marvel Comics.

Uma das manifestações de poder do Legião

Uma das manifestações de poder do Legião

Tal escolha, estranha no primeiro momento, não faz falta à história. O roteiro, ousado, mostra o início da vida de Haller, sua esquizofrenia e o início da descoberta de seus poderes psíquicos quando adulto. Na medida em que sabemos mais sobre o personagem, é difícil saber o que é real ou não. A única opção é embarcar na viagem de cores, sons e tentar montar o quebra-cabeça enquanto interpretamos tudo o que está na nossa frente.

Há sim uma construção narrativa que seduz. Não se trata de uma loucura completa. Mas os produtores pegaram uma história interessante e valorizaram com uma forma de contar diferente, porém que faz sentido quando o protagonista é um mutante com o poder de manipular mentes.

Syd Barret (Rachel Keller) é o interesse amoroso de David Haller

Syd Barret (Rachel Keller) é o interesse amoroso de David Haller

A estreia de Legion é uma ilustração da mente de cada um. Afinal nossos pensamentos não são lineares. Quando sentimos um cheiro, enxergamos algo ou escutamos uma música, nossa mente viaja, fantasia ou revisita acontecimentos de nosso timeline particular, por mais que nossos corpos continuem caminhado em linha reta.

Quando os produtores criam personagem originais (pelo menos é o que parece), como Syd Barrett (sim, é o nome do vocalista original do Pink Floyd), na série interpretada por Rachel Keller e Melanie Bird (Jean Smart), possibilitam uma maior imprevisibilidade e a criação de ganchos interessantes. Caso o Magneto estivesse ali, o roteiro teria que respeitar a personalidade do personagem consagrado dos quadrinhos.

Haller (Dan Stevens) e Lenny Busker (Audrey Plaza) no hospital psiquiátrico

Haller (Dan Stevens) e Lenny Busker (Audrey Plaza) no hospital psiquiátrico

Para não dizer que o primeiro episódio termina sem oferecer pistas, Haller nas HQs tem o poder de absorver consciências e criar novas personalidades. A série mostra algumas situações que indicam como essa característica do Legião pode ser incorporada à série.

Legion é uma experiência sensorial difícil de descrever com palavras. A parceria da Marvel com a Fox parece muito promissora e deve agradar quem gosta de acompanhar produções desafiadoras, e não somente os fãs dos X-Men. É um das grande surpresas positivas de 2017.

Legion estreia hoje às 22h30, no canal a cabo FX.