Com spoilers para quem não viu o anime até o fim.

Apresentar os sucessores de Seiya, Shiryu, Hyoga, Shun e Ikki é uma missão complicada. Aposto que poucos pensaram em como seriam os sucessores dos clássicos Cavaleiros de Bronze, ou até mesmo que eles não seriam os protagonistas da história após o duelo contra Hades.

É uma pena, mas ninguém pode parar o tempo e, “Cavaleiros do Zodíaco Ômega”, de Reiko Yoshida e Morio Hatano, estreou no dia primeiro de abril de 2012 no Japão para nos mostrar uma nova geração de protetores de Atena, e teve seu último episódio exibido no sábado (29/03), mantendo apenas traços discretos de toda mitologia fantástica construída no passado.

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A geração Ômega dos Cavaleiros com Atena

Logo nos primeiros capítulos, fica uma estranha sensação de superficialidade. Tudo acontece muito rápido. Não conseguimos sentir que Kouga, o novo Cavaleiro de Pégaso, e seus amigos Soma de Leão Menor, Ryuho de Dragão, que é filho de Shiryu, Yuna de Águia e Haruto de Lobo merecem sua armaduras. Lembram de como os Cavaleiros de Bronze clássicos sofreram em seus treinamentos? Pois é. Em Ômega existe uma escola chamada Palaestra, onde todos treinam para dominar seu elemento, que pode ser vento, trovão, terra, água, fogo, trevas ou luz.

Os elementos citados foram incorporados às constelações após um meteoro cair na Terra durante a luta de Seiya contra Marte, o vilão da primeira temporada do anime. Desde então as armaduras são guardadas em gemas, e os Cavaleiros clássicos, conhecidos pelos jovens como “Lendários”, ficaram incapacitados de queimar o cosmo. Essa foi a solução encontrada para justificar o desaparecimento de Seiya, Shiryu, Hyoga, Shun e Ikki.

Com Marte derrotado, os defensores de Atena originais voltam a queimar seus cosmos, mas continuam sumidos. Infelizmente, nem mesmo Seiya, agora Cavaleiro de Sagitário, é bem utilizado. Para piorar, os outros Lendários partem efetivamente para a luta contra Pallas e Saturno, os vilões da segunda e última temporada, após o episódio 76! E esse é um dos principais pecados de “Cavaleiros do Zodíaco Ômega”, que não olhou para sua própria mitologia, com personagens consagrados e bem construídos, para pegar – ou copiar – elementos de animes mais recentes.

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Shiryu com a armadura de Libra

Explico. Um dos novos Cavaleiros utiliza técnicas de ninjas e se chama Haruto. Alguém lembrou de um cara loiro, que veste laranja e tem como sonho se tornar Hokage? O nome deste personagem? É só trocar o H por N e temos NARUTO! Tem mais. Um dos Pallasitas, nome dos Cavaleiros protetores de Pallas, utiliza uma luva destruidora de armaduras. Aqui a referência é menos óbvia, mas dá pra lembrar de Scar, personagem de “Full Metal Alchemist” que destrói tudo que toca com o braço direito.

Por tudo isso, e mais alguns problemas, como Hyoga não vestir nem por um segundo a armadura de Aquário, Ômega deixa um gosto amargo para um fã dos “Cavaleiros do Zodíaco” da época da Manchete. Mas eu seria severo se afirmasse que o anime é uma desgraça completa. Em alguns momentos os antigos fãs vão se divertir. Lembra do Kiki? Ele é o Cavaleiro de Áries! Shiryu veste a armadura de Libra e em algum momento temos mais uma “Exclamação de Atena”! A técnica proibida dos Cavaleiros de Ouro.

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A nova armadura de Cisne! A de Aquário? Não dessa vez.

Ômega não foi o anime que poderia ser, e alguns fãs nem o consideram uma continuação oficial da história dos Cavaleiros simplesmente porque Masami Kurumada não se envolveu no projeto.

Mas esse novo capítulo de Saint Seiya terminou com um ponto final, sem sombra de vilão nem gancho para nada, e isso é bom.

No balanço entre erros e acertos do anime, deve ver “Os Cavaleiros do Zodíaco Ômega” somente o fã que faz questão de assistir tudo relacionado ao universo Saint Seiya.

Curte Cavaleiros do Zodíaco, então não deixe de ouvir nossos dois podcasts sobre os Defensores de Atena. A Saga do Santuário e A Saga de Asgard 🙂