A temporada de Vikings está caminhando para sua reta final, e faltando apenas dois episódios já é possível dar aquela pincelada sobre o rumo que a série tomou em seu terceiro ano.

Quem acompanha a série sabe que Vikings tem um ritmo de desenvolvimento um tanto quanto peculiar se comparada as séries mais hypadas do cenário. Com um ritmo de andamento cadenciado, a produção costuma ir cativando o telespectador cercando a atenção e comendo pelas beiradas. É muito comum ir deixando cacos pelo caminho, que vão incomodando os fãs, mas que no final são usados para completar a história contada.

(spoilers liberados daqui para frente)

Harbard

Harbard

Pelo que vimos nesses oito capítulos, o maior caco deixado no meio do caminho até agora foi o enigmático Harbard, personagem interpretado por Kevin Durand. Inserido na trama primeiramente pelos sonhos de Aslaug, Siggy e Helga, tudo que girou em torno dele foi bastante misterioso, para não dizer que foi um tanto quanto místico. Principalmente por, teoricamente, possuir o dom de curar a dor de Ivar Sem-Ossos.

As crenças e mitologias sempre foram recorrentes na série, principalmente porque um dos plots é exatamente esse crossover cultural, mas isso ainda não havia sido explorado de maneira tão contundente quanto dessa vez, já que Floki chega a sugerir que Harbard é o avatar do próprio Odin, Pai dos Deuses. O que parece mesmo uma possibilidade, já que Harbard é um nome que já foi usado por Odin, assim como também é conhecido pelas alcunhas de o encapuzado e o andarilho.

Apesar dessa “materialização” mística, que não prejudica em nada o andamento sóbrio que a trama costuma apresentar, as questões religiosas seguem auxiliando na evolução de alguns personagens, principalmente Floki e Ragnar.

Floki Athelstan Ragnar

Floki, Athelstan e Ragnar

Falando em religiosidade, não poderia negligenciar a participação de Athelstan nessa temporada. Foi indiretamente responsável pelo distanciamento de Ragnar e Floki, manteve seus questionamentos em relação a fé, cometeu o pecado de se deitar com a mulher do próximo e a engravidar, recuperou a fé e alcançou redenção ao ser assassinado.

Apesar de ser recorrente matar alguns personagens importantes no meio da temporada, como aconteceu com Jarl Borg e o Earl Haraldson, a morte de Athelstan me surpreendeu bastante. Até porque os dois nomes que citei anteriormente, apesar de importantes, não se comparavam com a relevância do “Priest“. Além disso, a morte da Siggy já me parecia ter sido ocasionada para manter essa tradição da série.

Rollo

Rollo

Assim como a morte de Athelstan mexeu bastante com a cabeça de Ragnar, Rollo também está sendo afetado diretamente com a morte de Siggy. Acredito que agora, o irmão de Ragnar, passará a ter destaque que muitos cobram desde o começo da série. É óbvio que a essa altura do campeonato já dá para juntar as peças da profecia do vidente e imaginar o que ele previu para Rollo. O cerco a Paris deve ser o início da sua trajetória para Normandia.

 

Rei Ecbert

Rei Ecbert

 

Outro personagem que finalmente começou a mostrar mais de sua capacidade foi o Rei Ecbert. Apresentado como uma espécie de Ragnar inglês, o personagem nunca entregou aos fãs um verdadeiro motivo para essa comparação. No entanto, Ecbert foi aos poucos saindo das sombras e revelando seus planos de se tornar o rei de toda a Inglaterra. Além disso, a jogada que usou para dizimar o assentamento Viking e continuar “numa boa” com Ragnar e Lagertha foi digna do personagem que prometeram lá no começo.

 

Lagertha

Lagertha

Por falar em Lagertha, tive a sensação de que deram uma fragilizada na personagem. Logo no começo ela se mostrou um pouco carente e na busca de alguém para ficar ao seu lado e lhe dar um filho. Ecbert e Kalf aproveitaram bem essa fragilidade e ganharam a confiança da Earl, para depois a derrubarem. Fiquei esperando mais ação por parte dela em Hedeby após a traição Kalf, mas sendo racional, faz sentido o rumo que a trama tomou, principalmente por Ragnar não ter comprado a briga. Afinal, agora que é rei, Ragnar necessita costurar alianças malquistas, mesmo que para isso desagrade a ex-esposa.

Ragnar

Ragnar

Ragnar tem se tornado um personagem cada vez mais difícil de se ler, não sabemos mais quando está sendo enganado ou quando está deixando os outros acharem que estão o enganando. Cada passo dado pelo rei Viking causa muitas dúvidas em relação ao que está objetivando, e sua postura frente à Floki após a morte de Athelstan retrata bem isso, deixando um enigma em relação ao que pretende daqui para frente.

Outro personagem que estava envolto aos enigmas, mas que aos poucos vai saindo das sobras é Kwenthrith, rainha de Mércia.
Essa que sempre foi bastante esquisita, agora esta cada vez mais ardilosa e mais difícil de se lhe dar. Após matar os nobres de Ecbert, mensagem clara de que irá governar Mércia sozinha, apresenta seu filho que supostamente gerou com a ajudinha de Ragnar na tentativa de intimidar o rei de Wessex e garantir a estabilidade no trono.

O que também chama a atenção na trama é a maneira com que a History Channel esta lidando com os acontecimentos históricos.
Citei anteriormente que Athelstan se deitou com a mulher de outro. Por acaso, essa foi Judith, esposa de Aethewulf, príncipe de Wessex.
Essa criança, nada mais é do que o futuro rei Alfred, responsável por iniciar a unificação da Inglaterra. No minimo é ousado insinuar que o histórico Alfred, o Grande, é um neto bastardo de Ecbert de Wessex. Além disso, a chegada dos nórdicos a Paris abre a possibilidade de acontecer com Rollo o que pré-supus acima.

Rei Charles

Rei Charles

Já que o assunto é Paris, os dois últimos episódios exibidos dão início ao arco que mostrará os vikings sitiando a cidade.
Finalmente fomos apresentados aos personagens desse núcleo, Rei Charles, que, mesmo aparentemente amedrontado, quer impedir a invasão Viking para conquistar glória e fama, e sua filha Gisla, que parece ter mais brio que o pai e que provavelmente terá seu futuro entrelaçado com o de Rollo. Além deles, também se destaca no núcleo o Conde Odo, responsável por comandar as forças do rei no conflito.

Entre as sequências de ação mais legais da série até agora, por fim os Vikings encontram um inimigo verdadeiramente a altura,e a derrota em Paris deixa claro que tomar a cidade irá demorar mais do que se esperava.

Sim, os Vikings perderam a batalha, mas só saberemos o resultado da guerra nos próximos dois episódios que virão em clima de despedida.